Linguística

15. Tendências de mudança no português atual
– Malte Rosemeyer, Albert Wall -
Contato(s) - malte.rosemeyer@romanistik.uni-freiburg.de /

albert.wall@univie.ac.at

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Descrição:
A linguística histórica é tipicamente concebida como disciplina cujas análises estão baseadas em dados históricos, por exemplo nos regulamentos de publicação do Journal of Historical Linguistics:

 

Papers should have a diachronic orientation and should offer new perspectives, refine existing methodologies, or challenge received wisdom, on the basis of careful analysis of extant historical data. (https://benjamins.com/catalog/jhl, último acesso em 4.9.2020)

 

Em outras palavras, estudos linguísticos históricos visam a descrição de processos de mudança de uma determinada língua mais ou menos concluídos em estados anteriores ao atual. A nossa seção, no entanto, propõe discutir a possibilidade de extrapolar processos de mudança também com dados contemporâneos. Com isto, a seção investiga o potencial de uma linguística histórica preditiva e se situa, neste sentido, na temática da temporalidade e mais precisamente na abordagem da dicotomia entre reminiscências e projeções, como descritas na chamada para propostas de seções. Ao mesmo tempo ela pretende focalizar e desvelar como a(s) gramática(s) do português como língua mundial desenvolver-se-ão, uma evolução que entre outras coisas será fortemente caraterizada por uma expansão imensa de falantes, sobretudo nas variedades africanas (Reto et al. 2018: 54-57).

 

É sabido há muito tempo que a sincronia permite chegar a conclusões sobre processos de mudança atuais ou futuros. Processos de variação são, por um lado, o resultado de antigos processos de mudança – por exemplo na gramaticalização de a gente como alternativa de nós (Lopes 2015: 202-204). Ao mesmo tempo é de se esperar que a generalização de a gente avance no português brasileiro, com base no fato que processos de difusão na maioria das vezes adotam a forma de uma curva em forma de s (Weinreich et al. 1968; Kroch 1989). Evidências empíricas para essa suposição já foram encontradas em trabalhos como Lopes (1998).

 

Ao lado de métodos sociolinguísticos como o acima exemplificado estudo em tempo aparente, que podem ser aplicados tanto a dados de corpora como a experimentos psicolinguísticos, existem outras possibilidades de gerar evidências dentro do marco de uma linguística histórica preditiva. Análises detalhadas das interações entre diferentes níveis do sistema linguístico e dos contextos de uso das construções linguísticas na sincronia, junto com o apoio de teorias sobre a mudança linguística permitem tirar conclusões sobre processos de mudança atuais ou futuros. Em Wall (2017, 2019, 2020) foram delineadas as condições gerais fonológicas e perceptivas para a hipótese de Kabatek (2002) de um suposto “desvio” no sistema de artigos brasileiro que parece estar indo na contramão do ciclo de gramaticalização observado em todas as outras línguas românicas. Neste caso, a combinação de diferentes tipos de dados mostrou-se como ferramenta decisiva para a argumentação. Com vista aos contextos de uso, Andrade (2019), por exemplo, analisa a oposição entre orações clivadas canônicas e reduzidas e mostra que os dois tipos de estruturas clivadas aparecem em contexto de usos similares. Isto permite assumir, por um lado, que as construções reduzidas se desenvolveram a partir das canônicas, e por outro que as reduzidas poderiam substituir as canônicas ao longo do tempo. Finalmente, também podem ser identificados fenômenos de bloqueio que podem explicar por que uma mudança determinada precisamente não está acontecendo (ver, por exemplo, Ansaldo & Lim 2004).

 

Uma terceira abordagem metodológica, muito apta precisamente para o português, é a análise comparativa do uso de uma construção ou de uma oposição em variedades de uma língua ou em várias línguas. Uma comparação deste tipo permite investigar a gama de possíveis soluções estruturais para diferentes constelações pragmáticas e interacionais e a sua lógica na diacronia. As contribuições em Álvarez et al. (2018) são um bom exemplo para o potencial desta abordagem. Nelas, se analisam tendências similares em variedades brasileiras e africanas e se constata, entre outras coisas, até que ponto fenômenos já mais avançados no português brasileiro também surgem nas variedades africanas baixo condições similares. Para dar outro exemplo, Rosemeyer (em prensa) analisa o uso de construções interrogativas no português europeu e brasileiro e no espanhol europeu e porto-riquenho. Ele mostra com dados porto-riquenhos que a difusão de construções interrogativas clivadas do tipo ¿Cómo era que se llamaba aquel actor? como marcadores interrogativos canônicos pode ser explicada, com uma certa probabilidade, como emancipação gradual do uso dessa construção a partir dos contextos de uso originais. A comparação com as variedades portuguesas permite a suposição que as construções interrogativas no espanhol caribenho poderiam evolucionar numa direção parecida.

 

Estão bem-vindas propostas de comunicações que trabalham a variação em todos os domínios da gramática do português e que tentam, no espírito da seção e com uma base de dados sólida, extrapolar futuros fenômenos de mudança. As contribuições podem conter perspectivas sociolinguísticas, sistêmicas ou comparativas sobre os fenômenos de variação. Especialmente bem-vindas estão propostas sobre variedades até agora pouco exploradas na literatura linguística (sobretudo das variedades africanas).

16. A dimensão temporal do português: O estudo diacrónico do português utilizando métodos empíricos modernos
– Carmen Widera, Georg A. Kaiser  –
Contato(s) - carmen.widera@uni-konstanz.de /

Georg.Kaiser@uni-konstanz.de

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Descrição:
A linguística diacrónica baseia-se metodologicamente principalmente na análise de corpora diacrónicos e históricos. Graças aos corpora processados digitalmente e aos desenvolvimentos metodológicos no campo da linguística de corpus, bem como à análise e apresentação de dados, foram feitos recentemente enormes progressos na investigação linguística diacrónica. Como resultado, as alterações diacrónicas na língua podem ser estudadas de uma nova forma e baseadas em grandes quantidades de dados. No caso do português, exemplos incluem os corpora Colonia Corpus of Historical Portuguese, Corpus Histórico do Português Tycho Brahe e O Corpus do Português.

No contexto desta secção, gostaríamos de dar espaço para uma discussão sobre as realizações, vantagens e novos desafios que atualmente se colocam no estudo da história da língua portuguesa. Além disso, gostaríamos de facilitar um intercâmbio sobre corpora já existentes, bem como estimular a discussão sobre a questão de reestabelecer e desenvolver corpora extensos e criados digitalmente. Particularmente em relação às possibilidades dos corpora digitais, coloca-se a questão de saber até que ponto as inovações metodológicas podem contribuir para explicar as mudanças linguísticas e trazer novos aspetos, e que requisitos os corpora devem satisfazer para esses fins. 

Por conseguinte, acolhemos de bom grado os pedidos de estudos baseados, por exemplo, em corpora diacrónicos ou históricos do português, que analisam as mudanças na língua portuguesa ao longo do tempo utilizando métodos empíricos modernos. São bem-vindos estudos sobre os fenómenos individuais do português europeu, do galego, do português brasiliano e das variedades portuguesas faladas em África ou na Ásia, bem como do crioulo com base no português, dos vários campos da linguística. São também bem-vindas as contribuições que abordem questões e requisitos atuais da linguística de corpus (digital), por exemplo, através de um corpus concreto. A participação de jovens investigadores é particularmente bem-vinda.

As propostas de comunicação (máx. 400 palavras incluindo referências bibliográficas) devem ser enviadas a:
carmen.widera@uni-konstanz.de e georg.kaiser@uni-konstanz.de
até o dia 12 de Abril de 2021. Potenciais participantes serão informados sobre a aceitação ou rejeição da proposta até dia 20 de Abril de 2021

17. Contatos Linguísticos, Desaparecimento e Deslocamento de Línguas como Fenômenos Temporais no Mundo Lusófono
– Julia Kuhn, Gustavo Gomes Araújo –
Contato(s) - julia.kuhn@uni-jena.de /

gustavo.luis.gomes.araujo@wu.ac.at

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Descrição:
O Brasil é um país multilíngue e diversificado. No entanto, o desenvolvimento ao longo do tempo tem ido de encontro a essa diversidade.  A riqueza das línguas nativas tem diminuído. 

A mudança linguística é um fenômeno temporal. Tanto idiomas quanto constelações linguísticas apresentam alterações temporais.  

As línguas indígenas na América Latina, que, por vezes, permaneceram isoladas até o século XX e moldaram várias sociedades indígenas monolíngues, entraram cada vez mais em contato com a língua oficial nas últimas décadas, tornando essas sociedades bilíngues e as gerações mais jovens, em muitos casos, monolíngues em português. As línguas indígenas têm sido deslocadas em favor do português brasileiro, por razões econômicas, educacionais, etc. Os indígenas monolíngues na língua nativa são, em muitos casos, apenas algumas pessoas mais idosas. Com eles, morrem línguas e culturas que são únicas em termos de gramática, morfossintaxe, vocabulário, conhecimento cultural, mitos, literatura oral e muitos outros aspectos.  

Faz-se necessário realizar a documentação científica dos fenômenos atuais de mudança linguística em situações de contato e das características linguísticas e socioculturais das línguas que correm o risco de desaparecer em um futuro próximo. 

Esta seção tem como objetivo ser um espaço de diálogo e de debate sobre trabalhos e pesquisas sociolinguísticas nas áreas de Contato Linguístico e Multilinguismo, estudos sobre mudança e perda linguística, análises morfossintáticas de línguas em situação de contato, diversidade biocultural e Linguística Pós-colonial e áreas afins, com vista a refletir sobre os aspectos temporais a partir das observações acima mencionadas e seus impactos nas línguas e nas culturas presentes no espaço lusófono. 

18. Variedades lusófonas e contato linguístico em África: Continuidades e rupturas em contextos plurilingues desde os primeiro contatos até à situação atual pós-colonial
– Miguel Gutiérrez Maté, Eva Gugenberger –
Contato(s) - miguel.gutierrez.mate@philhist.uni-augsburg.de /

eva.gugenberger@uni-flensburg.de

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Descrição:
Os espaços variacionais nos quais a língua portuguesa aparentemente tem maiores perspectivas de continuar a se propagar e a se vernacularizar no futuro próximo perante os desenvolvimentos sócio-econômicos atuais encontram-se na África. Em três países da África subsariana (Angola, Guiné-Bissau, Moçambique), assim como em várias ilhas da costa oeste africana (Cabo Verde, São Tomé e Príncipe e Ano-Bom, Guiné Equatorial), o português é a língua oficial e está cada vez mais presente na vida pública e privada. Nesses países, o português está em contacto estreito com línguas nígero-congolesas e com crioulos –que, por sua vez, resultam do contacto entre o português e as línguas nígero-congolesas e geralmente se originaram no Século XVI (Lang 2009; Hagemeijer 2009)–; em ambos tipos de contactos resultaram muitos e múltiplos fenómenos de transferências e empréstimos. A ecologia do contacto era e é muito diferente em cada uma dessas regiões, de maneira que a presença pública do português também varia consideravelmente: por exemplo, o português é ainda marginal em Guiné-Bissau, enquanto em Angola –devido à política linguística fortemente eurocêntrica dos portugueses durante a última época do tempo colonial e por causa do deslocamento de vários milhões de homens para outras províncias como consequência da guerra civil (1975-2002), iniciada imediatamente depois da independência do país–, impôs-se como língua comum em vastas partes do país e é usada atualmente por 71% da população como língua habitual na família (INE 2016).

 

O objetivo da nossa secção é descrever a diversidade dos cenários sociolinguísticos –especialmente dos tipos de poliglossia– na África lusófona, assim como modelar os fenómenos de contacto linguístico que resultam dos diferentes cenários multilíngues e as transferências das línguas nígero-congolesas e dos crioulos para o português, tanto no nível estrutural quanto em relação à indexicalidade dessas transferências (Mingas 2000, Silva 2003, Pinto 2004, Ashby/Barbosa 2011, Gonçalves 2012). A este respeito, pode-se supor que a propagação de características induzidas pelo contacto segue a cadeia “rural > urbano periférico > urbano central > nacional > transnacional africano > internacional” (cf. Gugenberger, no prelo, cujo modelo baseia em parte em Godenzzi 2010). Esta direção da mudança linguística poderia, por exemplo, detetar-se no caso do uso bem conhecido –ainda que esteja, até hoje, inexplorado desde um ponto de vista diacrónico– do pronome indefinido e advérbio elativo bué ‘muito’ no português angolano (Lá tem bué de candongueiros; Eu gosto bué), um quantificador que provém certamente de línguas bantas, tornou-se numa variante comum em outras variedades luso-africanas e é possível em variedades orais do português juvenil europeu (Almeida 2008). Além disso, queremos dar atenção, nessa secção, às mudanças históricas em cenários multilíngues, assim como, em geral, aos diferentes resultados do contacto linguístico (autonomia das línguas coexistentes, substituição de línguas, crioulização, reestruturação parcial do português –cf. Holm 2004, Inverno 2009–, relexificação parcial das línguas nacionais por causa da incorporação massiva de empréstimos do português) em relação aos condicionamentos ecolinguísticos externos.

 

Além disso, queremos estudar os vários problemas a propósito da continuidade histórica de algumas características do português africano colonial e pós-colonial (cf. Gutiérrez Maté 2020: 112-117 –baseado, entre outros, nos comentários metalinguísticos de Mattos e Silva (1904)– ou Lipski 1996/7 –quem analiza as cartas do rei do Congo no Século XVI, escritas em L2-português–). Em outras palavras, queremos responder à seguinte pergunta:

 

Nos processos de formação e desenvolvimento histórico do português africano, houve uma transmissão mais ou menos contínua das características regionais que caracterizaram as variedades do português originadas já nos primeiros contactos luso-africanos (ou, pelo menos, as variedades coloniais formadas depois da Conferência de Berlim (1884/1885))? Ou, pelo contrário, o português africano de hoje é sobretudo o resultado de relações e mudanças pós-coloniais (mesmo que uma grande parte das diferenças com o português padrão europeu pode ser atribuida à influência das mesmas línguas de substrato que tinham previamente causado a reestruturação das variedades portuguesas coloniais)? 

 

Além do mais, em nossa secção queremos discutir questões atuais de política linguística: por exemplo, com respeito ao distanciamento das variedades lusófonas africanas da norma europeia (Gonçalves 1996, 2005, 2010, Gregorio 2006, Inverno 2008, Timbane 2013a), ao desenvolvimento próprio de variedades nacionais e à normalização delas, assim como às implicações dessas mudanças sociolinguísticas para o ensino escolar (Mapasse 2015, Timbane/Berlinck/Rosane de Anrade 2012). Por último, queremos considerar o carácter eminentemente multilíngue (ainda hoje) dos países africanos que têm o português como língua oficial e os desafios resultantes como o uso de recursos plurilíngues na comunicação quotidiana e em áreas-chave da sociedade (setor da instrução, média, administração etc.) (Firmino 2002, Timbane 2013b). 

 

Bibliografia:

 

Almeida, Maria Clotilde. 2008. Youngspeak, Subjectification and Language Change: the case of bué. In: Maria Clotilde Almeida, Bernd Sieberg & Ana Maria Bernardo (eds.), Questions on Language Change, Proceedings of the International Colloquium – 16 November 2006 – Faculty of Letters-Lisbon, 117-132. Lisboa: Colibri.

Álvarez López, Laura/Gonçalves, Perpétua/Ornelas de Avilar, Juanito (eds.). 2018. The Portuguese language continuum in Africa and Brasil. Amsterdam/Philadelphia: John Benjamins.

Ashby, Simone/ Barbosa, Sílvia. 2011. “Bantu substratum interference in Mozambican Portuguese speech varieties”, in: Africana Linguistica 17, 3-31. 

Firmino, Gregorio Domingos. 2002. A "questão linguística" na África pós-colonial: o caso do Português e das línguas autóctones em Moçambique. São Paulo: Editora Paulinas.

Godenzzi, Juan Carlos. 2010. “Innovación y adopción en variedades lingüísticas: el caso del doble posesivo en el español de los Andes“, in: RILI,  15, VIII, 1, 57-69.

Gonçalves, Perpetua. 1996. Portuguȇs de Moçambique. Uma variedade em formação. Maputo, Universidade Eduardo Mondlane: Faculdade de Letras/ Livraria universitaria.

Gonçalves, Perpétua. 2005. “A formação de variedades africanas do português: argumentos para uma abordagem multidimensional”, in: A língua portuguesa: Presente e futuro – Textos da Conferência Internacional “A língua portuguesa: presente e futuro”, Dezembro de 2004, Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 223-242.

Gonçalves, Perpétua. 2010. A génese do português de Moçambique. Lisboa. Imprensa Nacional – Casa da Moeda.

Gonçalves, Perpétua. 2012. “Contacto de línguas em Moçambique: Algumas reflexões sobre o papel das línguas bantu na formação do novo léxico do português“, in: Lobo, Tânia et al. (orgs.): ROSAE: Linguística histórica, história das línguas e outras histórias, Salvador: EDUFBA, 401-405.

Gregorio, Anete Mariza Torres di. 2006. “Particularidades linguísticas no português de Angola”. Revista Philologus 11 (34) (<http://www.filologia.org.br/ revista/34/10.htm>).

Gugenberger, Eva. No prelo. “Die Dynamik im lusophonen Varietätengefüge aus der Perspektive des Sprachkontakts am Beispiel von Brasilien und Angola“ (Nähere Angaben zu Sammelband noch nicht verfügbar).

Gutiérrez Maté, Miguel. 2020. “De Palenque a Cabinda: un paso necesario para los estudios afroiberorrománicos y criollos”. Gabriele Knauer, Alexandra Ortiz Wallner & Ineke Phaf-Rheinberger (eds.), Mundos caribeños – Caribbean Worlds – Mondes Caribéens. Madrid/Frankfurt: Iberoamericana/Vervuert. 105-138

Hagemeijer, Tjerk. 2009. As línguas de S. Tomé e Príncipe. Revista de Crioulos de Base Lexical Portuguesa e Espanhola 1/1. 1-27.

Holm, John. 2004. Languages in Contact. The partial restructuring of vernaculars. Cambridge. University Press.

Instituto Nacional de Estatística de Angola. 2016. Resultados definitivos do recensamento geral da população e da habitação de Angola 2014. Luanda. www.ine.gov.ao (20.09.2020)

Inverno, Liliana. 2008. “Transição de Angola para o português vernáculo: uma história sociolinguística”, in: Torgal, Luís Reis (coord.): Comunidades Imaginadas, Coimbra: Imprensa da Universidade de Coimbra, 169-182.

Inverno, Liliana. 2009. “A transição de Angola para o português vernáculo: estudo morfossintático do sintagma nominal”, in: Carvalho, Ana M. (ed.): Português em contato, Madrid/ Frankfurt: Iberoamericana; Editorial Vervuert, 87-106.

Lang, Jürgen. 2009. Les langues des autres dans la créolisation. Théorie et exemplification par le créole d’empreinte wolof à l’île Santiago du Cap Vert. Tübingen: Narr.

Lipski, John M. 1996/7. “Las cartas congolesas del siglo XVI: un temprano testimonio del contacto lingüístico afro-lusitano”. In: Anuario de Lingüística Hispánica, 12, 925-938.

Mapasse, Ermelinda Lúcia Atanásio. 2015. Norma e ensino do portuguȇs no contexto moçambicano. Curitiba: Univ. Federal do Paraná (Dissertation).

Mingas, Amélia. 2000. Interferência do kimbundu no português falado em Luanda. Luanda/ Porto: Chá de Caxinde; Campo das Letras.

Pinto, Alberto Oliveira. 2004. Vocabulário de kimbundu no português de Luanda”, <http://multiculturas.com/angolanos/alberto_pinto_kimbundu.htm>.

Silva, Calane da. 2003. Tão bem palavra: estudos de linguística sobre o português em Moçambique com ênfase na interferência das línguas bantu no português e do português nobantu. Maputo: Imprensa Universitária.

Timbane, Alexandre António. 2013a. A variação e a mudança lexical da língua portuguesa em Moçambique. Universidade Estadual Paulista - Araraquara, tese de doutoramento (<http://www.catedraportugues.uem.mz/lib/docs/Tese_Doutorado_ Alexandre_A._TIMBANE.pdf>).

Timbane, Alexandre António. 2013b. “A variação linguística e o ensino do português em Moçambique”, em: Revista Confluência (Rio de Janeiro), vol. 1, 263-286.

Timbane, Alexandre António/ Berlinck, Rosane de Andrade. 2012. “A norma-padrão europeia e a mudança linguística na escola moçambicana”. Revista Gragoatá (UFF), vol. 1, 207-226.      

Vilela, Mário. 1995. “Algumas tendências da língua portuguesa em África”, in: Vilela, Mário (ed.): Ensino e língua portuguesa: léxico, dicionário, gramática, Coimbra: Almedina, 45-72. 

19. Temporalidade da língua e temporalidade na língua: Variação e mudança nos sistemas temporal e aspetual do Português
– Joachim Steffen, Marcelo Jaco Krug –
Contato(s) - joachim.steffen@philhist.uni-augsburg.de

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Descrição:
“Temporalidade da língua e temporalidade na língua. Variação e mudança no sistema temporal e aspectual do português”

Em sua notória contribuição sobre o sistema verbal das línguas românicas, Coseriu (1976) ressalta o português como a língua essencial para as dimensões em que se baseia seu modelo (1. nível temporal, primeiro plano: nível atual – segundo plano paralelo: nível inatual; 2. Perspectiva, posição do falante em relação ao ato verbal: paralelo - retrospectivo - prospectivo, em que cada espaço delimitado pela perspectiva primária pode ser dividido novamente de acordo com o mesmo princípio), pois é a única língua românica, que tem formas simples para todos os espaços temporais decorrentes desse modelo. Em outras palavras, o português tem um repertório particularmente rico de meios gramaticais para localizar eventos no tempo (cf. Comrie 1985: 9). Examinado mais precisamente, nas formas simples mencionadas, o tempo já ocorre misturado com o aspecto; entretanto, em português - semelhante ao espanhol - o sistema altamente diversificado de perífrases verbais é conhecido por ter particular importância para a expressão da estrutura temporal ou contorno da ação expressa no verbo, e oferece ao falante a possibilidade de distinguir inúmeras nuances com relação ao grau de desenvolvimento de um determinado evento ou estado de coisas (cf. Schemann 1983; Dietrich 1973). Por fim, deve-se acrescentar que o tempo não é apenas codificado por meios gramaticais, mas também pode ser expresso lexicamente (por exemplo, por adjuntos adverbiais como em já não chove, chove, ainda não chove, etc.; Barroso 1994: 16, cf. Móia 2011).

Nesta seção, convidamos a discutir sobre contribuições atuais que envolvam o tempo e o aspecto verbal na língua portuguesa, enfocando em particular a variação (gramaticalização síncrona de perífrases verbais aspectuais em variedades determinadas; variação sintática; comparação das diferenças no uso do tempo verbal entre PB e PE; etc.) e mudança (induzida por contato) (mudança de significado e perda de tempos verbais; desenvolvimentos diacrônicos e gramaticalizações; empréstimos gramaticais de categorias de tempo verbal e de aspecto de línguas de contato; etc.), que receberam pouca atenção até agora, também em comparação com outras áreas da lingüística do português. Nesse sentido, gostaríamos também de solicitar expressamente contribuições sobre línguas crioulas ou variedades parcialmente reestruturadas de base portuguesa, que tratem, por exemplo, da etimologia das formas ou da semântica  dos marcadores de tempo, modo e aspecto (Clements 2009: 51).

Referências citadas: 

Barroso, Henrique (1994), O aspecto verbal perifrástico em português contemporâneo. Visão funcional/sincrónica, Porto.

Clements, Clancy J. (2009), The Linguistic Legacy of Spanish and Portuguese, Cambridge.

Comrie, Bernard (1985), Tense, Cambridge.

Coseriu, Eugenio (1976), Das romanische Verbalsystem, Tübingen. 

Dietrich, Wolf (1973), Der periphrastische Verbalaspekt in den romanischen Sprachen, Tübingen.

Móia, Telmo (2011), „Sobre a expressão lexical da duração e da localização temporal em português”, in: Arden, M./Märzhäuser, C./Meisnitzer, B. (Hrsg.), Linguística do português. Rumos e pontes, München.

Schemann, Hans (1983), Die portugiesischen Verbalperiphrasen. Corpus und Analyse, Tübingen.